Fonte: The Guardian

Heróis, ídolos e mitos: precisamos?

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É graduada em Direito, professora e consultora ambiental, por opção. Triatleta, maratonista e Ironwoman. Aos 29 anos, sendo 10 dedicados a corrida (asfalto, cross e montanha) e 6 ao triathlon, sua maior paixão é enfrentar grandes desafios. Descobriu nas provas de longa distância sua vocação. Do esporte herdou a paciência, determinação e perseverança, as quais leva consigo em sua vida. Recentemente, transformou a sua própria mãe em uma das corredoras mais rápidas de sua faixa-etária. Impossível? Somente até você conseguir!

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17 Comentários

  1. Rafael Zobaran disse:

    Esse texto ficará catalogado entre os mais lúcidos, coerentes e sensatos que já li. Este misto de pensadora e escritora, Vivian Dombrowski, ultramaratonista, triatleta, já nem sei o que mais, muito mais do que escrever a respeito desta grande decepção esportiva, acabou de dar uma aula sobre quais alicerces devemos nos construir. Como ela mesma disse – “E isso não vale apenas para o esporte, mas para qualquer área.” – excelente!

  2. Zequinha Monteiro disse:

    Carissima Vivian

    Como sempre: uma aula!
    Além dos fatos, você escreveu no post uma mensagem de educação e auto-estima.
    Com abraço Zequinha

  3. Adolfo Neto disse:

    A verdade é que muitos atletas amadores usam os atletas profissionais não apenas como exemplos, mas também como ratos de laboratório.
    Eles testam programas de treinamento, equipamentos, etc. para nós.

    Eu, por exemplo, uso o Método Maffetone que ficou famoso porque o Mark Allen ganhou várias vezes o Ironman Havaí.

    Um dos argumentos para eu começar a correr descalço foi saber que os corredores quenianos corriam descalços na infância, o Marilson correu descalço, Abebe Bikila ganhou Ouro na Maratona Olímpica descalço.

    Portanto, não vejo como um grande problema acompanhar as notícias sobre os grandes atletas, desde que tenhamos consciência que:

    a) não é possível provar que alguém está limpo. Apenas se pode provar que alguém competiu dopado. A dúvida sempre permanecerá.
    b) Atletas profissionais (ouvi isso num podcast com o Robb Wolf) tem vida mais curta que a média da população. Talvez por usarem o corpo como ferramenta de trabalho, eles passam constantemente do limite.
    c) Nosso objetivo deve ser o do Marlus: ” Objetivo é a melhoria da minha qualidade de vida, resultados são consequência.” Nenhum de nós vai ganhar medalha olímpica.

    • Vivian Dombrowski disse:

      Adolfo, bem pertinente seu comentário.
      O que vejo e acompanho é que muitos “endeusam” pessoas, seja atletas ou no seu meio profissional. Tornam-as modelo para tudo. Desculpe-me pelo exemplo, mas se beberem urina é bem capaz de fazerem igual. No teu caso, você se interessou por um método, se informou, testou e vem dando certo, mas consciente de que Mark Allen não é Deus e você não vai ganhar 6..7 vezes Kona assim.
      Ainda, você corre descalço inspirado por outros atletas, mas não almeja ser o Bikila de 2013. É consciente disso.
      Admirar e usar conceitos são válidos, super válidos. Mas de acordo com a própria pessoas, dentro das capacidades dela.
      Muitos se esquecem deles mesmos. Esquecem que tem seus potenciais e passam a viver em função de outras pessoas. Isso que não acho legal.

      Obrigada pela contribuição!!!

  4. Joka disse:

    E sempre foi assim q eu pensei !!!!! Parabéns belo texto !!!!!

  5. Wolfgang Dagmar Gaase Junior disse:

    Creio que faz parte do ser humano querer se espelhar em alguém. Mas como você citou, o problema começa quando esse sentimento passa de admiração para endeusamento. Em tese deuses são perfeitos. Imagino que venha daí a dificuldade das pessoas mudarem sua visão.
    Em relação a identificação com aqueles que passaram por alguma doença grave ou viveram situação semelhante, também imagino ser bastante comum – aí eu deixo para os psicólogos a explicação. mas novamente entra no caso da admiração/endeusamento.
    Como alguém citou no Facebook sobre o Lance Armstrong: separando a pessoa do atleta é possível admirá-lo por sua batalha contra o câncer e pela criação da fundação que auxilia outras pessoas. Mas será que ainda é possível? Alguém que passou por maus bocados devido a doença e ainda assim não aprendeu nada…

  6. Everton Lodetti de Oliveira disse:

    Parabéns pelo post Vivian. Concordando plenamente com você, penso que os que se decepcionam por erros ou quedas de outras pessoas, são os que colocam nas mãos dos outros bens inalienáveis: felicidade, realização, saúde, amor próprio, objetivo de vida e sonhos. É muito mais confortável que o líder/herói seja sacrificado, erre ou triunfe, do que tirar o traseiro do sofá, tomar as rédeas da própria vida e procurar se conhecer. Os outros não podem emagrecer-nos, evoluir-nos, realizar-nos, ficarem mais saudáveis ou treinarem por nós. E isso a corrida ensina: você só colhe o que planta, além do autoconhecimento, de quem somos, o que almejamos o que podemos. Aqueles que choram por qualquer ídolo desmascarado ou fajuto, são os que terceirizaram a própria vida e já devem estar procurando outros heróis para começar tudo de novo.
    Abraços.

    • Vivian Dombrowski disse:

      Everton, obrigada!
      Seu comentário foi sensacional!! Sem dúvidas a corrida ensina a arte do plantio – paciência, perseverança e disciplina.
      Acredito que terceirizar a própria vida é para alguém que não teve a oportunidade de desenvolver a própria, a qual já passa tão rápido, né? Temos que viver nossas conquistas, nossas experiências e nossas frustrações. Só isso nos torna melhores.
      Abraços!

  7. Rolual13 disse:

    Olá Vivian,

    Para mim, o ponto marcante de seu artigo é quando você se refere aos seus “pilares”, seus pais. Está ai o ponto crucial de todo e qualquer ser humano, a base de sua formação e o seu “norte”. Pessoas que tiveram uma educação sólida em casa jamais buscarão estreitar os caminhos para alcançar seus objetivos, como fez este rapaz.
    Quanto a ter ídolos, acredito que a “idolatria” é uma dose exagerada de admiração e como a diferença entre o remédio e o veneno está na dosagem, melhor apenas ter uma admiração sadia, sem endeusar, sem perder o bom senso, sem perder o senso crítico.
    Faço aqui um juízo de valor e, acredito que o grau de idolatria das pessoas é inversamente proporcional ao seu grau de estudo, de educação, de leitura e de conhecimento, ou seja, pessoas mais informadas não seguem a “manada” indiscriminadamente.
    Admiramos sim, pessoas que se empenham em superar seus objetivos, lutando e suando para isso, como um atleta que baixa seu tempo em uma competição(ou treino) ou um profissional que alcança a aprovação em um concurso, pois, como disse certo autor anônimo: “ sem o esforço da busca torna-se impossível a alegria da conquista”.
    Em tempo: Quando vi em seu texto a palavra IMITAR em negrito e caixa alta, lembrei de um artigo que escreveu sobre determinado assunto e um colega de coluna seu falou de algo parecido, mas depois vi que não tinha nada a ver. RS!
    Abraço.

    • Vivian Dombrowski disse:

      Obrigada!!
      Sem dúvidas, o ser humano se forma a partir da educação que tem.
      Sua colocação, ou o seu juizo de valor, foi importantíssimo e super coerente! É a verdade que enxergamos no dia a dia!
      Forte abraço!

  8. Hernani Oscar disse:

    É bem verdade: nós somos os nossos ídolos pelas nossas conquistas (um pouquinho melhor a cada dia). Ídolos mesmo são os santos, pela que foi sua simplicidade de vida e exemplo sem querer ser, Jesus Cristo e nesse nível… o restante somos nós e cabe a nós fazer-nos melhor, e não sermos o resto.

  9. Renato Mello Renato Mello disse:

    Ei parceira, heróis somos nós todos que arranjamos tempo nas já apertadas rotinas para treinar, trabalhar e educar nossos filhos.
    Precisamos dar exemplo a toda hora, em todos os temas, mesmo aqueles que não dominamos. Acho que rotular alguém de herói, principalmente no esporte é um pouco de exagero.
    Neste final de semana terminei a BR 135 em trio me sentindo um herói, quando em algumas horas depois um americano cadeirante completa a mesma prova no SOLO me fazendo sentir que não fiz nada de mais naquele final de semana. Heróis vem e vão, nós mortais sempre estaremos por aqui! abraços!

    • Rolual13 disse:

      Caro Renato,
      Que tal escrever em sua coluna um artigo sobre a BR 135, falando sobre a história dela, como participar, a emoção vivida em sua participação e etc…?
      Abraço

      Rosendo

    • Vivian Dombrowski disse:

      Disse tudo, amigo!!
      Não é fácil ser profissional-atleta! Ainda mais ultra-atleta!
      Vocês são dignos de admiração…BR135 – solo ou reveza- não é pra qquer um!! Parabéns !!

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