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Ótimos resultados vs quebradeira no Ironman Fortaleza: como explicar?

Escrito por

Aline Carvalho Engenheira por formação, triatleta por opção, dotada de uma mente inquieta típica de filósofos, com grande paixão pela leitura. Tem a psicologia como força motriz de suas relações. Executiva de uma empresa multinacional, concilia sua rotina estressante no trabalho com seus treinos para provas de longas distância, que vão desde maratonas e ultras até Ironman. Conserva um sonho arrojado: disputar o RAAM, uma prova de ciclismo tida como uma das provas mais difíceis do mundo. Em seu curriculo esportivo contam 13 maratonas, 3 ultras, 1 meio Ironman e 2 Ironman. A sua maior emoção no esporte foi completar Comrades Marathon.

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10 Comentários

  1. Humberto Andrade disse:

    Aline, parabéns pelo seu texto. Perfeito. Houve um certo “terrorismo” antes da prova em algumas postagens. Quem não entrou nesse terrorismo, sabia que a prova ia ser difícil, mas não ia ser o “Deus nos acuda” que estavam pintando, afinal, treinamos aqui e já competimos aqui mesmo em centenas de provas, curtas e longas (o brasileiro de longa é normalmente aqui no começo do ano). A análise de todos os atletas daqui era que os tempos deveria ficar sim mais altos que os tempos de Floripa, e exatamente nessa faixa de 20 a 40 minutos, principalmente pelas condições da natação (sem roupa e mar mais complicado) e do pedal (vento e rolling hills), com o pedal interferindo diretamente na corrida.

    A prova foi sensacional. O apoio do público superou as minhas expectativas. A organização muito boa. Claro, que por ser a primeira vez, houveram algumas falhas que com certeza devem ser estudadas para que possam ser sanadas no ano que vem.

    Abs,
    Humberto

    • Aline Carvalho Aline Carvalho disse:

      Oi, Humberto! Realmente, a prova foi muito, mas muito melhor do que eu esperava, pelos tempos e pelos relatos. Fiquei bem mais tranquila, à medida que meus amigos foram completando e fui vendo os tempos. Tinha muito receio de acidentes na bike (público, trânsito e vento) e também achei que as pessoas fossem passar muito mal na corrida, em função do calor.
      Sabíamos que seria duro, tínhamos que treinar no sol, mas nem todos tem “paciência” de sair pra treinar às 11h30 / 12h, como fiz durante meus treinos. Fiquei triste por não estar lá, queria poder falar “de dentro”.
      Fico feliz pelo que recebi de feedback deste texto, sinal de que estava atenta aos detalhes, tão importantes para uma prova deste tipo.
      Um grande beijo e parabéns!!!!!!

  2. Telma disse:

    Ótimo texto. Pertinente, desafiador mas acima de tudo, honesto ! :-)

    • Aline Carvalho Aline Carvalho disse:

      Oi, Telma! Muito obrigada! Não estive nesta prova, mas já estive em outras. A gente gosta de desafios, né? Acredito que se formos honestos conosco, podemos ir além! Um beijão!

  3. Maria Helena disse:

    Oi Aline, adorei seu relato, participei da prova e me encontrei com muito do que disse. Estou dentre os que desistiram na corrida e gostaria de acrescentar meu relato. Quando você questionou o porquê do aumento de desistências na transição ciclismo para corrida, não considerou um aspecto fundamental: FALTOU ÁGUA NO CICLISMO!!!!!! Tive problemas com o pneu e a roda, fiz o pedal para cerca de 7h30min e fiz a última perna do ciclismo, algo em torno de 50 km, sem água!!!! Nos postos de hidratação só havia Gatorade quente! Terminei o ciclismo e iniciei a corrida com fortes sintomas de desidratação: dor de cabeça e perturbações gastrointestinais, e vi vários participantes passando mal assim como eu. Vou fazer um relato da minha insatisfação e decepção ao Ironman. Soube depois que alguns atletas chegaram a beber água suja do gelo derretido para continuarem na prova! Inaceitável!!! Aplaudo aos que possuem esse verdadeiro “espírito de ironman”, como disse uma conhecida, mas não compartilho dessa mesma percepção, principalmente considerando que se pagou 700 dólares para participar da prova. Abs, Maria Helena

    • Aline Carvalho Aline Carvalho disse:

      Oooooooooooooooooooh, Maria Helena. É claro que há um número de pessoas que não está no bolo das mentes que desistem. Todos temos limites. Sem dúvidas, houve problemas mecânicos impeditivos, pessoas que passaram mal e não conseguiram seguir adiante. Eu não sei o que seria de mim se estivesse 50km sem água numa prova. Eu tendo a esperar o pior e me preparar para o pior. Sou neurótica e obsessiva: levo tudo a mais. Pego água a mais. Estou sempre com coisas “reserva”. É meu estilo.
      Claro que ainda assim posso ter surpresas e espero nunca passar pelo que você passou. É um absurdo uma prova deste porte deixar faltar o mais essencial e básico: água.
      Vou escrever o mais breve possível sobre estas questões técnicas da prova, com o objetivo de reportar à Latin o que não funcionou e também reconhecer o que foi bom.
      Espero que não tenha traumatizado, espero que você permita uma experiência de cruzar a linha de chegada. Imagino a sua frustração, mas asseguro que cruzar aquela linha de chegada traz emoções indescritíveis.
      É uma prova linda, infelizmente, nem sempre bem estruturada.
      Eu fiquei de fora, outras tantas também ficaram. Imagina se todos tivessem ido? Menos água ainda!
      Um grande beijo!

  4. Fabiano disse:

    Bom relato da Maria Helena, pura verdade! Além da falta de comida no pedal, eu mesmo acabei bebendo água derretida do gelo, e também recebi convites para revezar (vácuo) tanto de “triatletas” novos quanto dos mais experientes que decidiram lutar contra o vento. Uma tremenda CARA DE PAU! Um outro fator, foram as garrafas na estrada onde a organização não retirava, deixando para os moradores locais, foi por uma dessas que acabei sofrendo um acidente e ainda bem que mesmo com a queda e estando ralado, enfrentando problemas para concertar a bike, não tive meu ironman por encerrado.

  5. Fabiano disse:

    Tecnologia, as vezes atraplha-nos, auto-complete, consertar a bike* Ótima matéria Aline!

  6. Pedro disse:

    Ótimo texto. Também achei que a prova seria mais dura. Exigiu sim muito da cabeça, exatamente como você falou. Terminar a natação. Primeira volta do Pedal segurar e depois pedalar o normal para correr, bem…..Pedalei para 5h 40m…e posso dizer que em dois postos não tinham agua….a sorte que no anterior havia abastecido bem. Quanto a comida no pedal, acho que ai cada um leva o seu alimento..para o que treinou….Acredito que por ser o primeiro ano, é normal que existam detalhes e pontos a melhorar. Mas achei a prova sensacional, ótima e voltarei no próximo ano a Fortaleza, mesmo sendo de Sc…quanto ao Vácuo…tirando a Elite M que estavam encaixados, não vi pelotões. Um cara de uma assessoria famosa grudou na minha roda, na segunda volta….mas ai…segunda volta podia fazer força e fiz questão de forçar para que as regras fossem mantidas…Até porque vácuo não é responsabilidade da Organização mas sim conciencia do atleta. Falei de Mais. Espero pelo próximo Iron, porque é muito bom. A prova é a melhor parte, dificil é dedicação e disciplina nos treinos.

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